CARTA DOS COLETIVOS CULTURAIS DA ZONA SUL AO PROGRAMA VAI

Carta dos Coletivos Culturais

Com a ampliação dos investimentos e de políticas públicas voltadas à área cultural, principalmente na cultura popular e no acesso aos bens culturais como a proposta do Vale Cultura e os programas Pontos de Cultura, as Leis de Incentivo e o próprio programa VAI, entre outras iniciativas, aumentaram as possibilidades de vários agentes culturais sobreviverem de sua produção e das comunidades consumirem sua própria cultura. Esse processo possibilita cada vez mais que a cultura não seja apenas um instrumento de inclusão social, configurando também um dispositivo no desenvolvimento da economia local e nacional alem de fortalecer a organização popular.

Na cidade de São Paulo não é diferente, percebemos que a cada dia a periferia vem saindo da posição de lugar violento e sem recursos para se tornar um ambiente cheio de expectativas e sonhos. As manifestações culturais vêm se enraizando através de um processo de produção e disseminação da cultura local, tornando-se assim um instrumento muito importante na diminuição da violência por meio da geração de trabalho, renda e lazer, caminhando em direção aos sonhos e expectativas criadas.

Isso é também resultado de um longo investimento das organizações sociais e comunitárias que sempre apoiaram as manifestações artísticas locais. Atualmente o Programa VAI e os Pontos de Cultura são os principais fomentadores da cultura na periferia, potencializam essa efervescência de produções culturais e a criação de um mercado de produtos, serviços e conhecimento. Contudo, percebemos após anos de experiência junto deste cenário que as ações permanecem desarticuladas e os serviços, equipamentos, produtos e conhecimentos ainda não são compartilhados entre estes produtores e artistas.

Hoje já se consegue identificar alguns espaços públicos e privados utilizados por grupos e indivíduos organizados ou independentes, que possibilitam aos artistas da região estrutura para produção, exposição e comercialização de seus produtos. Podemos citar os seguintes exemplos: as feiras culturais (Santa Teresa, Embu, Jd. Maria Sampaio); lojas que desenvolvem e trabalham com marcas e produções comunitárias como 1dasul, Vila Fundão, Afirma; e espaços culturais como saraus, shows, festa típicas, teatros, cineclubes. Isso mostra o potencial que existe na produção cultural local e em espaços culturais que possibilitam a apresentação e a comercialização de tais produções.

Ao mesmo tempo, vemos na periferia de São Paulo muitos jovens que estão em processo formativo nas entidades sociais e comunitárias com o foco cultural, isso vem causando grandes mudanças nas relações humanas e novas perspectivas de vida. Porém, esses jovens têm grandes dificuldades em conseguir trabalho e ou gerar renda através deste conhecimento adquirido, por exemplo, com a criação de vídeo, foto, web ou com a atuação na dramaturgia, entre outros, primeiro por não ter, na maioria dos casos, acesso aos equipamentos necessário, ou, até mesmo, pela dificuldade em receber pelo trabalho gerado. Portanto, grande parte do investimento destas entidades se perde e parte destes jovens fica frustrada por não dar continuidade ao plano de vida e expectativa gerada pela formação.

Na realidade o que acontece é que todo o processo, desde a produção ao destino final deste produto, serviço ou conhecimento é responsabilidade do próprio produtor, o que acaba gerando certo desperdício de energia e desânimo.

Foi pensando em formas criativas que contribuam com a solução destas dificuldades que os coletivos da Zona sul de São Paulo vem se organizando com o objetivo de potencializar as ações que já ocorrem na comunidade, além de viabilizar estratégias de fomento à cultura através da constituição da AGÊNCIA POPULAR SOLANO TRINDADE. O trabalho da Agência Solano Trindade consiste em facilitar processo de produção tanto no que tange outros serviços necessários quanto a produção comercial destes artistas e produtores por meio rede local, intermediando as relações de produção e comercialização, potencializando relações com outros pontos de culturas do Brasil, e do exterior, levando para fora esta produção cultural tão rica que ocorre nas periferias, gerando assim mais trabalho e renda através da cultura. Acreditamos que este suporte por vezes técnico, formativo ou de infra-estrutura possibilitará o aumento da produção e do reconhecimento da região, também.

Portanto a razão que faz os coletivos escreverem esta carta é mostrar que já existe uma rede de ações culturais que vem se organizando de forma a construir o auto financiamento, sustentabilidade e disseminação da cultura como instrumento de organização social.

Fortalecer este movimento e pensar sua sustentabilidade se faz necessário para que atuais proponentes do VAI possam alcançar vôos maiores, infelizmente, ainda temos uma herança e uma perpetuação do individualismo e da competição, fazendo com que muitos acreditem que irá sobreviver isoladamente, nós não acreditamos em sustentabilidade pontual e temos exata noção das dificuldades e desafios da produção cultural na atualidade.

Para que os grupos culturais se tornem realmente sustentáveis é necessário o trabalho em rede articulado dentro e fora da comunidade de suas atuações. Outro ponto importante se refere à relação política destes movimentos com a realidade cultural que estão inseridos e nas ações para o desenvolvimento da periferia. Assim, acreditamos que os valores e conceitos relacionados à economia solidária e criativa podem contribuir com o desenvolvimento destas comunidades no que tange os ativos econômicos criativos dos centros urbanos, além obviamente, dos valores cooperativistas.

Atualmente o Programa VAI vem fomentando ações culturais importantes, e a  articulação dos movimentos culturais trazem para Campo Limpo, Capão Redondo, São Luis, Jd. Angela e região, diversas atividades que hoje fazem parte do processo de reflexão e implementação de ações que buscam a transformação social através da cultura.

Sendo assim os grupos sentem a necessidade de expressar suas opiniões demonstrando sua vontade em participar ativamente da construção de políticas publicas de incentivo a cultura, lembrando que o Programa VAI foi construído de forma coletiva através da organização de jovens, porem muitos destes jovens que lutaram por políticas como essa e atores que atuam com o fomento a cultura a muitos anos hoje não conseguem acessar o Programa VAI por causa principal a Idade se fazendo necessário o inicio de um debate publico para a construção de novas políticas de incentivo.

Dentro disso os coletivos culturais abaixo relacionados vem através desse documento demonstrar o apoio mútuo entre os projetos e a construção de agentes locais e protagonistas de mudanças em nossa comunidade; todos os coletivos aqui representados pelos projetos vêem demonstrar a pratica dos grupos de atuação em rede em busca de comunidades onde a arte e a transformação social também trabalham em rede.

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