Está em circulação a Moeda Cultural Solanos

Por Joseh Silva

Aconteceu neste final de semana, no Sacolão das Artes, o lançamento da Moeda Cultural Solanos. Foram dois dias de evento que culminou na participação de diversos indivíduos e coletivos culturais. No primeiro dia aconteceu o seminário focado na troca de experiências ligada a moedas sociais, onde foram convidados o Coletivo Fora do Eixo, Rebeca Regatiere, economista que abordou a economia da cultura, Heloisa Primavera e a Agência Solano Trindade. O segundo dia foi reservado para a troca de produtos, serviços e conhecimentos, além da confraternização do evento, que contou a presença de diversos grupos da região.

Representantes do ministério da cultura, da secretaria municipal, do programa VAI, da Secretária do Verde e Meio Ambiente e do Sesc, compareceram, estão vendo o projeto com bons olhos, e continuarão apoiando a iniciativa de alguma forma.

A moeda Solanos não é um sistema alternativo e sim complementar à economia. Isto é, se individuo ou grupo pretende lançar um disco, que consequentemente necessitará de um serviço de estúdio e designer, ele poderá pagar o estúdio com Real e a produção do encarte com Solanos. É importante frisar que para utilizar a moeda se faz necessário o cadastro na Agência Solano Trindade.

O cadastro não torna a Agência centralizadora e sim um meio que coloca a disposição os grupos cadastrados, possibilitando o contato direto com quem fornece o serviço. Assim, ela torna-se um meio, uma ponte para quem necessita ou dispõe determinado produto ou serviço. Atualmente a agência conta com mais de 120 cadastrados, que variam entre produção áudio visual, captação de recursos, literatura, oficinas, workshops, artes cênicas, cultura popular, etc.

Apesar de tantas pessoas envolvidas é importante frisar que se trata de um processo de construção coletiva, que vai levar um tempo para adaptação. Nem todas as questões estão respondidas, por isso é importante que os coletivos participem de todas as decisões para que entendam bem o que é a moeda, como ela vai circular, quanto ela vai valer e como será a mediação do trabalho da Agência.

Liberto

No domingo, por volta das 11h30, adentrava no evento um senhor negro de cabelos e barba branca. Chamava atenção pela altura e por se parecer com o homenageado da festa. Chegou cumprimentando a todos e ficou por ali vagando entre o que estava exposto. O homem era Liberto Solano Trindade, filho de Solano Trindade, nascido em 1943 no Rio de Janeiro e morador de São Paulo desde 1962.

 Liberto foi prestigiar o evento e parabenizou a tudo e a todos: “O trabalho esta maravilhoso, tenho a certeza de que meu pai está contemplado. Sei que e isso se deu, também, pelo trabalho da minha irmã Raquel, que teve a iniciativa de dar continuidade aos ideais do meu pai”, relatou. Para ele a concepção da moeda é extremamente importante, pois “as pessoas têm a insanidade de dizer que o negro, o pobre é desorganizado; é mentira. As coisas estão acontecendo, mas não há divulgação. Um evento como este não importa pra alguns e eles fazem de tudo para minimizar a importância disso”, acrescentou ele.

 Quando o filho ressaltou a importância do pai para a cultura negra, para o teatro e tentou mensurar a efeito disto hoje, os lábios tremiam e voz engasgava e à lágrima, carregada de respeito e admiração, veio ao olho. Não havia mais o que falar.

Matéria da Agência Comunitária de Notícias do M’Boi Mirim.

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